1. Por que e para que
reestruturar o ensino médio?
Com currículo fragmentado e
dissociado da realidade do aluno, apresenta altos índices de reprovação e
repetência (34,7%). Do total de jovens entre 15 e 17 anos, 84 mil (14,7%) estão
fora da escola.
2. Todos os cursos serão
profissionalizantes?
Não. Haverá três alternativas de
Ensino Médio: Ensino Médio Politécnico, Ensino Médio Curso Normal e Educação
Profissional Integrada ao Ensino Médio.
3. O que é Ensino Médio
Politécnico?
É o Ensino Médio que vinculado a
realidade social e ao desenvolvimento científico-tecnológico, integra as áreas
do conhecimento (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências
humanas). Na prática, o estudante terá, além das aulas dos componentes
curriculares do Ensino Médio, o desenvolvimento de projetos com atividades práticas
e vivências relacionadas com a vida, com o mundo e com o mundo do trabalho.
Contudo, isso não implicará na extinção das disciplinas, que serão fortalecidas
no diálogo interdisciplinar.
4. O que é educação profissional
integrada ao ensino médio?
É um curso profissionalizante,
previsto na LDB desde 2008. Será ofertado nas escolas técnicas. Na prática, é a
integração dos cursos médio politécnico e técnico, gerando a integração da
educação geral e técnica, do pensar e fazer, da teoria e da prática. Ao final,
o estudante terá um certificado de curso técnico de nível médio.
5. Como se organizam as bases
curriculares das escolas?
No EM Politécnico as bases
curriculares serão organizadas contemplando os componentes curriculares do EM,
distribuídas nos 200 dias letivos, contabilizando um total de 1000h por ano,
totalizando uma carga horária de 3000h, entre formação geral e diversificada
nos três anos. Os horários reservados para o Seminário Integrado e Projetos
(200h anuais) serão definidos pelas escolas, de acordo com suas especificidades
e realidade local, o que não significará ampliação da jornada de trabalho.
Na Educação Profissional Integrada
ao Ensino Médio, as bases curriculares contemplam os componentes curriculares
da formação geral do Médio Politécnico, integradas às disciplinas técnicas do
curso correspondente. Serão distribuídas nos 200 dias letivos, contabilizando
no mínimo 3240h, variando conforme a carga horária dos cursos indicados no
Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do MEC.
6. Como se organizarão os
horários dos professores com a reestruturação?
A carga horária dos professores
será mantida. A distribuição da carga horária se dará a partir do planejamento
coletivo e interdisciplinar de cada escola. Este possibilitará a cada docente
prever o tempo necessário para trabalhar os conteúdos em sala de aula e o tempo
necessário para utilizá-los como ferramenta para desenvolver os projetos no
Seminário Integrado.
7. A implantação será de uma só
vez, em todos os anos do Ensino Médio?
Não. A implantação será gradativa:
o 1ª ano em 2012; o 2ª ano em 2013; e o 3ª ano em 2014, podendo durante o
processo haver avaliação e aperfeiçoamento do projeto.
8. O que são os eixos temáticos
e de onde surgem?
Os
eixos temáticos transversais são definidos, escolhidos pelo coletivo da escola,
pelo grau de identificação que tem com sua realidade. São questões amplas que
incluem conhecimentos de várias disciplinas. Darão o eixo para elaboração dos
projetos nos Seminários Integrados.
9. A Conferência Estadual encerra
o ciclo de debates sobre a reestruturação do EM?
Não. Ao longo de 2012, cada escola
fará o debate e as adequações necessárias à proposta e a sua realidade.
10. O Estado vai garantir a
formação para os professores?
Sim. Está prevista formação inicial
e continuada para os docentes desde o início do ano letivo de 2012. Cada escola
vai organizar a sua formação, a partir do apoio da Seduc com interface das
Universidades parceiras.
11. Vai diminuir a carga horária
de disciplinas como português e matemática no Ensino Médio Politécnico e
consequentemente a diminuição dos seus proventos?
Não.
A carga horária das áreas será mantida. Contudo, será distribuída em proporções
diferenciadas ao longo dos três anos, seja na formação geral, seja na
diversificada. O regime de trabalho e a remuneração dos professores são
garantidos pela Constituição e pelo Plano de Carreira, que não sofre alteração
alguma.
12. O que muda na formação dos
alunos?
A articulação entre a formação
geral e diversificada e o planejamento interdisciplinar vai garantir a
aproximação entre o conhecimento e o contexto social em que o aluno está
inserido. Tanto o aluno que frequentar o Ensino Médio Politécnico quanto o
estudante da Educação Profissional integrada ao Ensino Médio terão uma formação
integral, tendo o trabalho como princípio educativo.
No caso do Politécnico, a formação
permitirá ao jovem ter uma compreensão mais aprofundada da complexidade do
desenvolvimento científico-tecnológico. Já o estudante que optar pela Educação
Profissional agrega à formação geral a preparação para o mundo do trabalho.
Ambas as propostas se aproximam de avaliações como o Exame Nacional do Ensino
Médio.
13. Haverá necessidade de
ampliação de espaço físico nas escolas?
Não necessariamente. A
reorganização dos espaços escolares, no entanto, pode ser demandada, conforme o
planejamento de cada escola.
14. A proposta visa preparar mão
de obra “barata” para o mercado de trabalho?
Não.
A proposta visa garantir aos alunos da rede estadual uma educação de qualidade com
cidadania, com formação integral e vinculada as necessidade do mundo
contemporâneo.
15. Como fica a carga horária
para o aluno que trabalha durante o dia?
Hoje o Ensino Médio está
estruturado com 800 horas, distribuídas em 200 dias letivos anuais. A proposta
de reestruturação mantém essas 800 horas. As 200 adicionais podem ser
desenvolvidas em diversas situações, inclusive no seu local de trabalho.
16. Se não é uma proposta
autoritária, por que as etapas das conferências não são deliberativas?
Não é autoritário porque a proposta
não está pronta. Ela será formatada, discutida e aperfeiçoada na prática de
cada escola durante o ano de 2012. As etapas não têm caráter deliberativo e não
há encaminhamento de votações, pois todas as contribuições e sugestões serão
acolhidas, sistematizadas e discutidas na etapa estadual prevista para dezembro
de 2011, possibilitando assim que as contribuições resultem na construção de um
documento que expresse o protagonismo da comunidade escolar.
As etapas da conferência são
espaços de caráter propositivo para contribuições e aprofundamentos, coerentes
com o Documento-Base, as Diretrizes Curriculares Nacionais e a LDB.
Tudo está para ser feito. O ano de
2012 será um rico período e, nossas escolas, um privilegiado espaço para,
coletivamente, construirmos o caminho na caminhada, com tensionamentos,
dúvidas, problematizações, debates e muitos avanços que garantam a
universalização do ensino médio agora, também, um direito básico da cidadania.
Novembro de 2011
CONCEPÇÃO DE CONHECIMENTO E DE CURRÍCULO
A construção de
uma nova proposta de Ensino Médio Politécnico tem como fundamento uma concepção
de conhecimento compreendido como
[...] um processo humano,
histórico, incessante, de busca de compreensão, de organização, de
transformação do mundo vivido e sempre provisório; a produção do conhecimento
tem origem na prática do homem e nos seus processos de transformação da
natureza (SMED, 1999, p.34).
Em decorrência, o currículo é
concebido como o conjunto das relações desafiadoras das capacidades de todos,
que se propõe a resgatar o sentido da escola como espaço de desenvolvimento e
aprendizagem, dando sentido para o mundo real, concreto, percebido pelos alunos
e alunas. Conteúdos são organizados a partir da realidade vivida pelos alunos e
alunas e da necessidade de compreensão desta realidade, do entendimento do
mundo.
Além das concepções de conhecimento
e currículo, a proposta curricular se constituirá pelas bases epistemológica,
filosófica, sócio-antropológica e psicossocial.
Epistemológica
A base epistemológica refere-se à compreensão
do modo de produção do conhecimento, que se dá pela relação entre sujeito e
objeto em circunstâncias históricas determinadas; em decorrência desta relação,
o homem é produto das circunstâncias, ao mesmo tempo em que as transforma. A
transformação social é fruto da coincidência entre transformação das
consciências e das circunstâncias. Em decorrência, não há aprendizagem sem
protagonismo do aluno, que constrói significados pela ação.
Filosófica
A escola será
compreendida e respeitada em suas especificidades temporais e espaciais, ou
seja, históricas; o currículo será organizado para atender, consideradas essas
especificidades, as características próprias dos educandos em seus aspectos
cognitivos, afetivos e psicomotores, e o trabalho pedagógico será flexível para
assegurar o sucesso do aluno;
Sócio-antropológica
O currículo
deverá considerar os significados socioculturais de cada prática, no conjunto
das condições de existência em que ocorrem; esta dimensão fornece os sistemas
simbólicos que articulam as relações entre o sujeito que aprende e os objetos
de aprendizagem;
Sociopedagógica
O currículo deverá considerar a relação entre
desenvolvimento e aprendizagem; promover o desenvolvimento intelectual na
relação com o mundo; compreender a escola como espaço de trabalho cooperativo e
coletivo.
INTERDISCIPLINARIDADE
Para introduzir esta temática é necessário
partir do conceito de área de conhecimento (disciplina): uma divisão didática
do conhecimento que se caracteriza por ter objeto, linguagem e metodologia
específicos. A fragmentação do conhecimento acompanha o preceito que o todo,
dividido em partes, tem como objetivo facilitar a aprendizagem. Esse pressuposto
tem-se mostrado inadequado, porque,além de descaracterizar o todo, desconstitui
a possibilidade de construção de vínculo do conhecimento com a realidade de
vida. O tratamento disciplinar do conhecimento, quando única estratégia de
organização do conhecimento, tem se mostrado insuficiente para a solução de
problemas reais e concretos.
O relacionamento
das grandes áreas de conhecimento e dos saberes para a resolução de problemas
não é propriamente novidade, mas a intencionalidade de ações nessa direção, no
que diz respeito ao ensino, é recente. Advém do resgate de visões
epistemológicas e práticas de pesquisa que trabalham o objeto do conhecimento
como totalidade, com interferência de múltiplos fatores, pressupostos
estabelecidos a partir dos avanços científicos e tecnológicos contemporâneos.
A compreensão que os problemas não
são resolvidos apenas à luz de uma única disciplina ou área do saber
desmistifica a ideia, ainda predominante, da supremacia de uma área de
conhecimento sobre outra.
O pressuposto básico da interdisciplinaridade
se origina no diálogo das disciplinas, no qual a comunicação é instrumento de
interação com o objetivo de desvelar a realidade.
A interdisciplinaridade é um
processo e, como tal, exige uma atitude que evidencie interesse por conhecer,
compromisso com o aluno e ousadia para tentar o novo em técnicas e
procedimentos.
Ao buscar um saber mais integrado e livre, a
interdisciplinaridade conduz a uma metamorfose que pode alterar completamente o
curso dos fatos em educação; pode transformar o sombrio em brilhante e alegre,
o tímido em audaz e o arrogante e a esperança em possibilidade (FAZENDA, 2008).
A
interdisciplinaridade se apresenta como um meio, eficaz e eficiente, de
articulação do estudo da realidade e produção de conhecimento com vistas à transformação.
Traduz-se na possibilidade real de solução de problemas, posto que carrega de
significado o conhecimento que irá possibilitar a intervenção para a mudança de
uma realidade.
O trabalho interdisciplinar, como estratégia
metodológica, viabiliza o estudo de temáticas transversalizadas, o qual alia a
teoria e prática, tendo sua concretude por meio de ações pedagógicas
integradoras. Tem como objetivo, numa visão dialética, integrar as áreas de
conhecimento e o mundo do trabalho.
A coordenação dos trabalhos, que organiza a
elaboração de projetos, por dentro dos seminários integrados, será de
responsabilidade do coletivo dos professores, e entre eles será deliberada e
designada, considerando a necessária integração e diálogo entre as áreas de
conhecimento para a execução dos mesmos. Além disso, o exercício da coordenação
desses trabalhos, sob a forma rotativa, oportunizará que todos se apropriem e
compartilhem do processo de construção coletiva da organização curricular.
O
desenvolvimento de projetos que se traduzirem por práticas, visitas, estágios e
vivências poderão também ocorrer fora do espaço escolar e fora do turno que o
aluno frequenta. Para tanto, deverá estar prevista a respectiva ação de
acompanhamento executada por um professor.
Os projetos serão elaborados a partir de
pesquisa que explicite uma necessidade e/ou uma situação problema, dentro dos
eixos temáticos transversais.
I – Áreas de Conhecimento
1-Linguagens e suas Tecnologias;
2-Matemática e suas Tecnologias;
3-Ciências Humanas e suas
Tecnologias;
4-Ciências da Natureza e suas
Tecnologias.
II – Eixos Temáticos
Transversais para a Parte Diversificada
1-Acompanhamento Pedagógico;
2- Meio Ambiente;
3- Esporte e Lazer;
4- Direitos Humanos;
5- Cultura e Artes;
6- Cultura Digital;
7- Prevenção e Promoção da Saúde;
8- Comunicação e Uso de Mídias;
9- Investigação no Campo das
Ciências da Natureza;
10-
Educação Econômica e Áreas da Produção.
n LINHAS DE
PESQUISA (exemplos)
- A função social
da arte em distintas instituições/localidades/épocas .
- Até que ponto os
modelos democráticos e participativos de organização resultam melhoria da
qualidade de vida.
- A forma de
utilização da matemática na vida de cada um, e no mundo do trabalho,
produz soluções diferentes para questões cotidianas.
- Impactos
Ambientais e implementação de estratégias de conservação da
Biodiversidade regional.
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